quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

tudo o que eu queria era escrever umas cinco páginas pra te falar do meu amor, mas tudo que consegui até hoje foram meros versos soltos numa atmosfera tensa e confusa.
palavras desconexas onde tento esconder até de mim o que eu realmente quero dizer. cada frase, cada vírgula que escrevo é tudo mentira. são falsidades que eu inventei pra não cuspir minhas loucuras e transparecer minha obsessão. letras que se organizam em palavras que não são minhas, palavras criadas pra te chamar atenção pro outro lado, para que você nunca perceba o que realmente acontece aqui.
a minha vida se resumiu em mentir. mentir pra mim, pra você, pra qualquer um. e você pode se perguntar, então, se eu não estou mentindo agora. e a resposta é simples: sim.
eu minto sempre, é tudo que sei fazer. tudo em mim é encenado, sou meu próprio personagem, meu próprio fantoche. eu me controlo, eu faço meu figurino e roteiro. é tudo meu, mas nada sou eu.
o que sinto por você é mentiroso, é infiel. os nossos beijos são tecnicos, nossos abraços são frios, nossas brigas são cenas. eu não sei até que ponto você consegue perceber, mas é tudo um palco; é tudo parte da minha obra. até mesmo você.

e nada do que eu diga agora vai fazer sentido, mas o que importa? seria mais uma mentira. o final da cena eu ja sei. você talvez não saiba, mas eu ja escrevi o desfecho final. ele esta nas minhas mãos agora; extamente agora.
mas você pode achar que é mentira...
e estará com a razão.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

quinta-feira de cinzas... no cinzeiro.





o pôr-do-sol é sempre inspirador.
mais ainda quando visto do nôno andar de um prédio desconhecido.
mesmo quando a paisagem é preenchida de armação, concreto e céu.


1 programa pra 2:
sofá, tv e ventilador;
um papo cabeça
-cabeça com cabeça-.

o sol quase sumindo...
"-tou quase dormindo...
-vira pra cá..."
umas frases soltas.

1 cigarro pra 2.
as cinzas pela janela(a fora).
os olhos pela janela(a dentro)
-olhares sutilmente desviados-.

a noite chegou.
e depois de alguns dias isso não parecia mais uma boa notícia.
era uma quinta-feira de cinzas...
e todo carnaval tem seu fim.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

"...roda mundo, roda gigante..."



roda
pra lá.
roda
pra cá.
roda
pra quê?
roda
de quê?

sambe na roda
roda de samba
caia na roda
venha sambar.


venha sambar
entre na roda
me faça seu par
eu quero rodar.

te faço um pedido:
me dê um sentido
entre no samba
e venha rodar.

te faço um pedido
sambe comigo
entre na roda
e venha sambar.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

saída de emergência

meu sonho foi estranho.
era tudo muito parado e desconexo
eu andei em câmera lenta por quilômetros e quilômetros
uma eterna e repetitiva rotina.
um rosto no espelho me parecia familiar.

olhos e ouvidos que não são meus,
frases que eu disse e que não sei de onde vieram.
horas em que morei num corpo que não era meu.

tentei varias vezes acordar.
era um daqueles sonhos que mais parecem realidade.

mais tarde deitei numa cama, num quarto estranho.
finalmente acordei.
quase sem ar, acordei.
voltei ao meu mundo.
me sinto vivo, forte, firme.
minha realidade é minha.
só minha.



não consigo mais repetir esse pesadelo.
não posso mais dormir.
agora me mantenho eternamente acordado...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

uma.
duas.
três, quatro, cinco.
essas foram as vezes que o despertador precisou pra tentar me fazer sair da cama.
e a cada vez que o toque matutino cantarolava eu tinha vontade de pegar o telefone, olhar bem no alto-falante dele e dizer:
-meu amigo, que parte do 'eu não quero levantar hoje' você ainda não entendeu?
mas ia parecer loucura. então eu só apertava qualquer botão, largava ele na cama e virava de lado.
eis que finalmente ele me convence que, melhor do que ficar na cama, seria levantar, ir fazer xixi e voltar pra cama -sim, porque a bexiga cheia estava atrapalhando o meu sono.
okay,okay... eu não vou levantar e deitar de novo, certo?
errado. eu deitei.

só mesmo a força de um "você não vai pra aula hoje, bárbara?" pra me fazer levantar.
levantei -ufa!.
banho, café da manhã, trânsito...

e nessa hora eu adoraria escutar:
"todo dia ela faz tudo sempre igual..."
mas o máximo que consegui foi:
"se a tristeza fosse tanta que permanecesse muda, então seria pior..."
um silêncio mórbido se fez entre mim e mim.
silencio?
mudo?
"aaaaaahhh!" - um grito, só pra quebrar.
troca o cd, põe guitarras pra gritar que jaja fica tudo bem.


aula, aula, aula...
"-me empresta o celular? preciso desbloquear a ultima fase..."
"-meu deus, você não enjoa disso?"
"-não..."
duas aulas depois:
"-toma. zerei. enjoei."


almoço no shopping, umas caras feias, outras conhecidas...
corro pro consultório da minha psicóloga..
"pronto.. agora é só esperar uma hora e daqui a pouco alguém me salva..."

ufa.
cinquenta minutos pra falar compulsivamente enquanto ela me olha com aquela cara de "calma, uma coisa de cada vez..."
"ta, a semana foi péssima e aconteceram milhões de coisas horríveis!"
...
"bah.. não aconteceram tantas coisas horríveis..."
...
"ta... aconteceram umas coisas, mas nem foram tão horríveis..."
...
"ah, quer saber?! eu tou em crise!"
e, cinquenta minutos depois:
"hahahaha, você ta dizendo que a minha cabeça não funciona? ahn? hunft..." - entendam isso como um final de consulta positivo.

uns abraços, umas conversas, uns vídeos no youtube e as coisas parecem melhorar.
(viu? não foi 100%, mas...)


mais abraços, mais conversas e agora muito, muito suor.
é um peso uma risada. uma corrida uma novidade. uma subida uma respiração.
-é, eu tava malhando-
e como num passe de magica, tudo saiu pelos poros, junto com o suor.
e como é bom sentir esse prazwer, essa lavagem...



é, fim do dia.
tive uma crise diário hoje.