domingo, 19 de agosto de 2007

faixa 11

luzes apenas externas.
perfumes que se misturam à brisa.
corpos embalados pelo silêncio musical.
mãos que percorrem sutilmente cada centimetro de pele.
almas que se elevam e levam além.
olhos que buscam no escuro das palpebras a cena perfeita.
lábios que se separam por milimetros.
respirações coordenadas.

e de repente, o que ja era mudo torna-se inexistente; o mundo desaparece.
são apenas dois corpos; são um.
a música continua ritimando o ser recentemente formado.
o ser que se move num perímetro minimo em movimentos leves, tendentes à uma inércia vibrante.
a calma se quebra.
olhos se abrem.
braços se apertam em abraços - tentativas nervosas de quebrar a lei física da impossibilidade de dois corpos ocuparem um mesmo espaço.
mas não há mais lei, não são dois. são um.
uma única pele, um único pulmão, uma única mente.
um único corpo.


pares iguais.
um par.
um ser.
nós.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

magia

flashs sequenciados que estouram nos olhos ainda fechados
lazers que percorrem silhuetas.

goles de coragem e curtição
tragos de sensualidade e provocação.

corpos que vibram provocando choques desordenadamente
olhos que se cruzam a uma distancia inexistente.

movimentos em camera trêmula...

terça-feira, 31 de julho de 2007

olhos nos olhos.
olhos na boca...
bocanaboca.
boca na mão.
mão-na-mão.
!
mão nos olhos...
olhos no chão...
chão abre vão...
vão entre dois...
...

dois no chão...
chão faz caminho...
caminho traz olhos.
olhos nos olhos.
olhos na boca...


...

quarta-feira, 18 de julho de 2007

...ainda cheia de defeitos e desleixos, mas sou eu.

agora, mais que nunca,
sou eu.

a cada passo, cada palavra, cada gíria copiada;
todo sentimento,
até no sofrimento.
sou eu.

a cada personagem
sempre um novo ato
de uma mesma peça.
sou eu.

na cama, de pé,
no carro, a pé,
no riso, no (quase) chôro,
sou eu.

na rua, estrada;
calçada.
correndo devagar.
sou eu.


"...sou minha mãe, minha filha, minha irmã, minha menina..."

quarta-feira, 4 de julho de 2007

existe uma linha que divide os mundos, os opostos. o ódio do amor; o sim do não; o claro do escuro. uma linha que distancia o certo do errado, o bom do mal. uma divisão entre o real e o ilusório, a razão e a emoção.

e é nessa linha que se deve andar, sem se tornar 100% de coisa alguma. pelo menos era assim que eu pensava que deveria ser(até porque é o que a gente sempre ouve: "tem que andar na linha..."). o problema é que estar na linha também significa estar sempre sujeito a um dos lados, e isso as vezes é confuso. quando você acha que esta no controle, a linha pode fazer uma curva e te colocar do lado contrário. e nessa hora qualquer passo em falso pode ser fatal.




pior ainda é criar linhas imaginárias pra dividir duas coisas que podem ser uma só. e que quase sempre o são...