quinta-feira, 22 de novembro de 2007

uma.
duas.
três, quatro, cinco.
essas foram as vezes que o despertador precisou pra tentar me fazer sair da cama.
e a cada vez que o toque matutino cantarolava eu tinha vontade de pegar o telefone, olhar bem no alto-falante dele e dizer:
-meu amigo, que parte do 'eu não quero levantar hoje' você ainda não entendeu?
mas ia parecer loucura. então eu só apertava qualquer botão, largava ele na cama e virava de lado.
eis que finalmente ele me convence que, melhor do que ficar na cama, seria levantar, ir fazer xixi e voltar pra cama -sim, porque a bexiga cheia estava atrapalhando o meu sono.
okay,okay... eu não vou levantar e deitar de novo, certo?
errado. eu deitei.

só mesmo a força de um "você não vai pra aula hoje, bárbara?" pra me fazer levantar.
levantei -ufa!.
banho, café da manhã, trânsito...

e nessa hora eu adoraria escutar:
"todo dia ela faz tudo sempre igual..."
mas o máximo que consegui foi:
"se a tristeza fosse tanta que permanecesse muda, então seria pior..."
um silêncio mórbido se fez entre mim e mim.
silencio?
mudo?
"aaaaaahhh!" - um grito, só pra quebrar.
troca o cd, põe guitarras pra gritar que jaja fica tudo bem.


aula, aula, aula...
"-me empresta o celular? preciso desbloquear a ultima fase..."
"-meu deus, você não enjoa disso?"
"-não..."
duas aulas depois:
"-toma. zerei. enjoei."


almoço no shopping, umas caras feias, outras conhecidas...
corro pro consultório da minha psicóloga..
"pronto.. agora é só esperar uma hora e daqui a pouco alguém me salva..."

ufa.
cinquenta minutos pra falar compulsivamente enquanto ela me olha com aquela cara de "calma, uma coisa de cada vez..."
"ta, a semana foi péssima e aconteceram milhões de coisas horríveis!"
...
"bah.. não aconteceram tantas coisas horríveis..."
...
"ta... aconteceram umas coisas, mas nem foram tão horríveis..."
...
"ah, quer saber?! eu tou em crise!"
e, cinquenta minutos depois:
"hahahaha, você ta dizendo que a minha cabeça não funciona? ahn? hunft..." - entendam isso como um final de consulta positivo.

uns abraços, umas conversas, uns vídeos no youtube e as coisas parecem melhorar.
(viu? não foi 100%, mas...)


mais abraços, mais conversas e agora muito, muito suor.
é um peso uma risada. uma corrida uma novidade. uma subida uma respiração.
-é, eu tava malhando-
e como num passe de magica, tudo saiu pelos poros, junto com o suor.
e como é bom sentir esse prazwer, essa lavagem...



é, fim do dia.
tive uma crise diário hoje.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

dois




o tempo é infiel aos fatos.
ele não diz o quanto tudo isso realmente durou.
é incapaz de medir a força do que ele chama de segundos.
insuficiente pra dizer até onde nós fomos com aqueles olhares e promessas.



é traidor da vontade de ficar.
corre o quanto pode pra nós deixar pra trás.
ajusta seus ponteiros pra nos trazer angustia e saudasismo antecipados.
faz com que cada volta seja a última.



eu quero tirar esse medo.
quero que ele se arraste enquanto minha preocupação cabe numa semana.
que voe quando a semana se transformar em ano.
e que pare quando tudo isso for passado.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

outra coisa


foi pensando no futuro que eu fiz esse samba.


eu acordo e você não está
procuro e nada de te achar
nem na cama nem no quarto
nem na sala ou na cozinha
onde você foi parar?

será que se perdeu?
que se achou?
se enganou?
será que vai demorar?
que foi viajar?
que não vai voltar?

volte logo, venha me ver,
eu quero um abraço,
eu quero um amasso,
eu quero você

volte logo, não demore, corra
eu não sei esperar
minha ânsia não se cansa
volte logo, antes que eu morra...

domingo, 19 de agosto de 2007

faixa 11

luzes apenas externas.
perfumes que se misturam à brisa.
corpos embalados pelo silêncio musical.
mãos que percorrem sutilmente cada centimetro de pele.
almas que se elevam e levam além.
olhos que buscam no escuro das palpebras a cena perfeita.
lábios que se separam por milimetros.
respirações coordenadas.

e de repente, o que ja era mudo torna-se inexistente; o mundo desaparece.
são apenas dois corpos; são um.
a música continua ritimando o ser recentemente formado.
o ser que se move num perímetro minimo em movimentos leves, tendentes à uma inércia vibrante.
a calma se quebra.
olhos se abrem.
braços se apertam em abraços - tentativas nervosas de quebrar a lei física da impossibilidade de dois corpos ocuparem um mesmo espaço.
mas não há mais lei, não são dois. são um.
uma única pele, um único pulmão, uma única mente.
um único corpo.


pares iguais.
um par.
um ser.
nós.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

magia

flashs sequenciados que estouram nos olhos ainda fechados
lazers que percorrem silhuetas.

goles de coragem e curtição
tragos de sensualidade e provocação.

corpos que vibram provocando choques desordenadamente
olhos que se cruzam a uma distancia inexistente.

movimentos em camera trêmula...